Quem aí não gosta de arrumar as malas e conhecer novos lugares? Fazer roteiros, pensar em
passeios, descobrir novas culturas e atividades… Quando a gente fala em turismo, de imediato,
pensamos em algo longe, em quilômetros e milhas de distância, mas já pensou que ele pode estar
bem pertinho de você? E mais, que a sua atividade do dia a dia pode ser uma atração turística?
Hoje (8) é o Dia Nacional do Turismo e a gente te convida a olhar para ele de outra forma; já ouviu
falar em Turismo de Base Comunitária? Provavelmente você até já o tenha vivenciado: quando
comunidades tradicionais são inseridas na dinâmica do turismo, quando a comunidade é a
protagonista da gestão e ofertas de bens e serviços turísticos, que estão ligados ao seu modo de
vida e ao território local. Como bem destacam Bartholo, Sansolo e Bursztyn (2009), palavras e
expressões como participação, protagonismo social e empoderamento ganham destaque nesse
contexto e começam a se articular com o tema da conservação ambiental.
Inúmeros são os exemplos dessa prática Brasil a fora, que crescem e se consolidam como grande
aliado de comunidades rurais, ribeirinhas, do interior e também do litoral. Uma prática aliada à
conservação ambiental e conservação da cultura única e específica de cada região, de cada
comunidade. Onde o que parece comum no seu dia a dia ganha um novo olhar, um novo
destaque; e os benefícios são inúmeros.
Mas para desenvolver esse turismo com sustentabilidade é preciso planejamento, ordenamento
das atividades econômicas do trade turístico e investimento em atrativos e infraestrutura de apoio
e suporte. Isto pressupõe a mobilização dos agentes econômicos e da sociedade civil em torno da
elaboração e execução de um Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico Sustentável (Barretti,
2017). Além disso, o elemento fundamental para sua execução é a simetria nas relações: “a
simetria se dá no reconhecimento e valorização mútua das identidades culturais” (Bartholo,
Sansolo e Bursztyn, 2009, p.17).
E quando a gente fala em relações, ainda mais que devem ser sustentáveis, a gente entende! A
colaboração para práticas de turismo de base comunitária também faz parte da nossa atuação.
Um exemplo é um projeto ainda embrionário, no norte de Santa Catarina, que propõe inserir as
comunidades de pescadores artesanais na dinâmica do turismo, com diversificação das atividades
produtivas e geração de trabalho e renda associadas ao mar.
Como uma prática nova para a comunidade, o trabalho em andamento busca agregar
conhecimento sobre esse tipo de turismo, as potencialidades locais com observação de pássaros
e a mobilização e dirigentes do poder público. Não é um trabalho simples e fácil, afinal, mais do
que uma experiência, essa prática visa agregar renda, novas práticas, relações e, principalmente,
um novo olhar para o dia a dia da comunidade: é preciso que a própria comunidade enxergue o
valor da sua atividade e sua cultura, entender esta visão como negócio e, então, oferecer este
serviço turístico aos seus visitantes.
O nosso trabalho perpassa então, pela identificação: de grupos e empreendimentos comunitários
locais da oferta de produtos e serviços dos grupos comunitários; a construção de parcerias e
apoios externos; o estudo e a elaboração de roteiros turísticos; a formação da economia solidária;
a elaboração de planos de negócios solidários e, então, a assessoria e implementação desses
negócios solidários.
Assim, mais do que uma simples visita à comunidade tradicional, o almoço caiçara, o aprender a
pescar ou observar pássaros da região, quando você vivenciar o Turismo de Base Comunitária,
lembre-se que, antes de tudo, ele é a expressão da vida, de modos de vida, de culturas e formas
de viver; ele é a expressão da maior riqueza do que é ser humano: a relação diversa com o outro
e com o diverso.
Neste dia comemorativo, te convidamos a olhar para o turismo com esse viés e, claro, a vivencia-
lo a partir das maiores riquezas que temos.
BARTHOLO, Roberto; SANSOLO, Davis G.; BURSZTYN, Ivan (orgs.) TURISMO DE BASE
COMUNITÁRIA: DIVERSIDADE DE OLHARES E EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS. Rio de Janeiro: Letra e
Imagem, 2009.




