Quando um empreendimento chega em uma comunidade, na cartela de programas previstos no licenciamento ambiental, geralmente, está o Programa de Capacitação de Fornecedores Locais. Essa é uma ação importante, que contribui (ou pode contribuir) muito no desenvolvimento local, e também pode colaborar na própria cadeia e custos de insumos e serviços do empreendimento, além, é claro, de ser uma grande ação de sustentabilidade — quando realizada corretamente!
Você então pode estar se perguntando: como assim, quando realizada corretamente? Se está previsto no licenciamento e se o Programa é aprovado para execução, já não está tudo certo? A gente explica: o primeiro passo é esse, mas para os resultados serem realmente efetivos, dependem de estratégia, constância e, claro, vontade!
Se você faz parte do empreendimento, já se perguntou qual o total de fornecedores da localidade que participou do Programa? E mais, quantos dos que participaram realmente conseguem atender o empreendimento de forma eficaz e contínua? Se você é um fornecedor de uma localidade que recebeu ou está recebendo um empreendimento: quanto sua empresa precisará se adaptar para atendê-lo, e qual o retorno dessa adaptação? E já pensou que, ao se capacitar, outros consumidores podem surgir?
Perguntas simples como essas abrem caminho para uma série de estratégias que podem tornar o Programa mais sustentável e, também, rentável para ambos os lados. É claro que toda localidade e todo empreendimento têm suas particularidades, mas é importante que o empreendimento esteja aberto a possíveis adaptações de políticas e processos de suprimentos, como desburocratização e flexibilização dos seus processos, adequações em condições de pagamento, faturamento, entre outros. Mais do que uma capacitação ao início do Programa, é importante que esteja disponível para auxiliar o fornecedor nas dúvidas e desafios durante o processo de forma prática e amigável, para além de um conjunto de normas estabelecidas em um documento. Além disso, um caminho muito interessante é o uso de sua influência para promover articulações com grandes fornecedores e associações para estimular a contratação de pequenas e médias empresas locais e, mais, que use dessa influência para estabelecer possíveis parcerias com agentes financiadores para capacitação e ampliação dos próprios fornecedores locais.
Do outro lado, é importante que os fornecedores locais entendam que grandes empreendimentos possuem políticas de compliance e que fornecedores podem impactar diretamente nisso, ou seja, é preciso estar em conformidade com leis e regras para estar apto a fornecer produtos ou serviços, e isso é constante, não apenas no início do Programa. Além disso, é importante vislumbrar a vitrine que um empreendimento pode dar ao seu trabalho ou produto: uma cadeia de novos consumidores pode surgir a partir do trabalho bem feito.
Em resumo, os resultados podem ser incríveis e realmente cases de sucesso sobre sustentabilidade, mas é importante que as ações estejam para além do documento, e sim em decisões estratégicas.
E se você, como a gente, não depende da execução de um Programa como este para trabalhar, mas também quer fazer a diferença onde trabalha, vai fundo, que o caminho é esse! Aqui na Arkhê, por exemplo, sempre buscamos profissionais locais para auxiliar na execução dos programas desenvolvidos, afinal, quem é a pessoa que mais conhece a comunidade? Além disso, em todas as localidades que passamos, priorizamos fornecedores locais, independentemente do produto que precisamos. Há resultados muito bacanas, inclusive, de indicarmos diferentes fornecedores locais para os grandes empreendimentos e ver o crescimento das pequenas empresas bem de perto.
Já pensou na diferença que a sua empresa pode fazer? Comece a pensar nisso, vale muito a pena!




