Segurança hídrica do começo ao fim

25 de março de 2024

Que o cenário na segurança hídrica é bastante desafiador, a gente já mostrou na matéria “A água nos une, o clima nos move”, e o nosso olhar deve ser sistêmico, primeiro post da nossa série sobre a água.” Mas olha que ele fica ainda mais sério quando lembramos que água é um direito humano: “Sem água não há vida, há uma relação direta entre água e vida, e entre água e qualidade de vida também”, destaca Osvaldo Aly Jr., técnico da Arkhê e pesquisador de segurança hídrica e seus temas correlatos.

Afinal, não apenas precisamos da água como fonte de hidratação, mas para a produção de alimento e em uma ou algumas etapas de tudo o que produzimos e/ou consumimos.

E de onde vem toda essa água? Lembrando rapidamente das aulas de ciência, temos o ciclo hidrológico, aquele caminho que a água faz na natureza. Passa pelas chuvas, passa pelo solo… e só aí já temos dois grandes pontos de atenção!

O primeiro deles é quanto às chuvas. Como falamos na matéria anterior, as mudanças climáticas impactam diretamente a segurança hídrica. “Não há como pensar na água e não pensar no clima. O ciclo hidrológico muda de acordo com as mudanças climáticas”, afirma Osvaldo. Lembrando que não se pode fabricar água, ou seja, a água existente no planeta não aumenta, ela apenas muda o lugar onde precipita.

O segundo é em relação ao solo, e aí queremos sua atenção! Osvaldo explica que há uma cultura nacional de se pensar que toda a segurança hídrica está relacionada a uma represa. “Quando você olha o Plano Nacional de Segurança Hídrica, ele começa em uma barragem, mas deveria começar no solo”, aponta. Ele explica que o solo é a esponja que vai reter, armazenar e infiltrar a água, que vai alimentar os rios e que, então, irão abastecer as represas. Se esse solo, que é a nossa primeira caixa d’agua, estiver contaminado, a água também estará, e se ele for malcuidado vai reter e armazenar pouca água, assim, a vazão dos rios vai diminuir.

Diante de tudo isso, o que precisamos é de uma segurança hídrica completa, que envolva o cuidado aos solos, e adaptativa, que acompanhe as mudanças climáticas, seja pelo excesso ou pela falta de água.  

Esse é um dos pontos estudados por Osvaldo, junto a um grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo, sobre a mudança do clima e a segurança hídrica nas regiões metropolitanas de São Paulo e Campina Grande, na Paraíba. As regiões vivem de transposição de água e o estudo analisa quais as políticas públicas existentes para garantir a segurança hídrica e se elas são sustentáveis. Ele aplica essa preocupação em outro trabalho junto à Política Nacional de Desenvolvimento Territorial, onde foi convidado a colaborar no eixo sobre a água.

E como resolver esses desafios relacionados à segurança hídrica? Alguns indícios muito positivos surgiram dentro da própria comunidade, e a comunidade rural! O nosso próximo texto vai te contar um pouco sobre esse trabalho, acompanhe!

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