Nesta nossa série de matérias sobre a água, já percebemos que o cenário da segurança hídrica é desafiador e que precisamos ter um olhar sistêmico sobre o assunto: a segurança hídrica deve ser completa e também adaptável . Mas onde podemos encontrar soluções para esses desafios?
Nossos técnicos Osvaldo Aly Jr. e Raimundo Palmeira, desenvolveram um trabalho no município de Socorro (SP) em 2021, que revelou algo muito interessante e pouco olhado quanto ao uso da água.
A grande revelação do trabalho foi sobre o uso comunitário da água, algo bem interessante que acontece no Brasil e é pouco olhado. Essa prática de gestão também é bastante comum na América Latina. A partir do uso compartilhado, ações individuais ou coletivas da própria comunidade, neste caso a comunidade rural, encontraram soluções para os desafios relacionados à água.
Osvaldo explica que há lugares em que uma única nascente ou poço é usado por várias famílias: “E como não se pensa o espaço rural no Brasil, não se pensa isso. Ou quando se pensa, como é o caso do Programa Nacional de Saneamento Rural, é com uma visão urbana, ou seja, estender encanamento, bombeamento… o que é muito caro”. O resultado é que essas pessoas nunca foram atendidas pelo poder público e, então, buscaram suas próprias soluções.
“A gente advoga que essa parte da solução comunitária precisa ser estimulada, porque é a forma mais barata de resolver os problemas”, afirma o pesquisador. “O que o pessoal precisa é de apoio em relação a materiais, capacitação. Mas não precisa vir uma empresa de saneamento rural, porque a comunidade resolve. E isso traz um aspecto interessante de educação e sensibilização ambiental”, complementa. Ou seja, ao buscar soluções, é preciso a participação comunitária, é preciso ouvir e avaliar o que já está sendo feito, é preciso escuta e presença.
Outra forma de encontrar soluções para os desafios da segurança hídrica é enxergar a economia a partir da ideia de serviços baseados na natureza: “Uma economia que favoreça, estimule e tenha uma sinergia com o funcionamento da natureza”, explica Osvaldo. E aí o papo vai longe e rende novas reflexões, mas que tem tudo a ver com a nossa forma de consumir e, claro, explorar os recursos naturais que são base para toda e qualquer produção.
Então, nesta série de matérias sobre o Dia Mundial da Água, destacamos a importância de olhar para o tema de forma transversal e multidisciplinar, como ele é; integrando todos os assuntos correspondentes e necessários para a real segurança hídrica e, consequentemente, a nossa qualidade de vida.
Ah, e se precisar de apoio, nossa equipe está à disposição!




