“A água nos une, o clima nos move”, e o nosso olhar deve ser sistêmico

22 de março de 2024

22 de março, Dia Mundial da Água. Ou seria dia mundial da vida? Hoje, em comemoração a esse tema tão importante, iniciamos uma série de matérias com algumas reflexões com base no que a nossa equipe tem estudado, e trabalhado (muito) por aí.

O título da matéria já nos mostra o início das nossas reflexões. “A água nos une, o clima nos move” é o tema do Dia Mundial da Água neste ano aqui no Brasil. E é neste movimento do clima que começamos: você já parou para pensar em como as mudanças climáticas impactam na nossa segurança hídrica?

Para você entender o conceito, segurança hídrica existe quando há disponibilidade de água em quantidade e qualidade suficientes para o atendimento às necessidades humanas, à prática das atividades econômicas e à conservação dos ecossistemas, acompanhada de um nível aceitável de risco relacionado a secas e cheias. (ANA, 2023, p.89). E para medir essa segurança há o balanço hídrico, uma ferramenta para gerenciar a água e capaz de identificar pressões e potenciais conflitos que podem incidir sobre esse recurso em diferentes cenários.

Alguns dados do Informe Anual – Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2023, da Agência Nacional das Águas e Saneamento Básico, destacam o panorama do país. Segundo o relatório, os comprometimentos mais elevados estão prioritariamente na porção leste do país, mais próxima ao litoral, o que coincide com a maior concentração da população e, consequentemente, à maior demanda por água. Outro dado é que foram cerca de 25 milhões de pessoas afetadas por secas e estiagens no país de 2020 a 2022; e mais 1,5 milhão de pessoas afetadas por cheias no ano de 2022.

O Sumário Executivo do Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil (2024), também da Agência Nacional das Águas e Saneamento Básico, avalia os cenários representativos de mudança do clima e os impactos decorrentes dessas mudanças sobre a disponibilidade hídrica no Brasil, e traz algumas projeções sobre o tema. Segundo o estudo, as regiões hidrográficas localizadas no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste do país tenderão a sofrer com maior escassez hídrica. “Isso poderá se intensificar com o passar do tempo e na medida que os níveis de emissão dos gases de efeito estufa aumentem, e, por conseguinte, a temperatura se eleve no Brasil. As projeções indicam que se pode ter diminuições de até 40% na disponibilidade hídrica já em 2040 nas principais regiões hidrográficas brasileiras, além de um aumento substancial no número de trechos de rios intermitentes no futuro nessas regiões” (ANA, 2024).

Com isso conseguimos ter um panorama bem geral do desafio quando o assunto é água e como o clima realmente pode mover o cenário da segurança hídrica. Mas será que ele é realmente considerado na prática? Será que a segurança hídrica no Brasil tem sido tratada como deve ser, de forma sistêmica e transversal? As ações de adaptação devem necessariamente envolver os cidadãos, para que possam conhecer melhor os problemas, propor e se engajar nas soluções.

 

Nosso próximo post trará o olhar técnico da nossa equipe que há décadas trabalha o tema. Confira!

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